Os nossos antepassados tiveram dias incertos. Acordavam e não sabiam se teriam comida ou se seriam atacados ou seriam comida de outros animais.

Esta incerteza desencadeou uma evolução no sistema nervoso a fim de que a sobrevivência pudesse ser garantida.

Assim os mecanismos de autoproteção foram construindo memórias que facilitavam a decisão diante dos iminentes riscos contra a própria existência.

Ao identificar perigos, o cérebro já tinha registro de como agiu em situações anteriores e desencadeava ações mais precisas diante da situação.

No caso do medo, todos os animais o possuem e ele assegura a sobrevivência diante de um perigo.

Imagina se não tivéssemos medo de jacaré, onça, etc.  Enfrentaríamos tais animais de igual para igual.

E isto não seria bom para a nossa existência. Para Lester (2010, p. 21), as reações físicas desencadeadas pelos impulsos recebidos externamente e processados pelo cérebro são resultado de descargas neurais desencadeadas a partir de uma iminente ameaça Essa ameaça foi para os nossos antepassados um mecanismo de autodefesa.

O corpo desenvolveu um mecanismo de descargas de adrenalina diante do perigo e da ameaça.

Quanto maior o perigo percebido, maior seria a descarga de adrenalina para assegurar a sua sobrevivência.

Só que fomos evoluindo e dominando a natureza. Muitos riscos não significavam mais a mesma coisa que foi no passado, mas o nosso cérebro não entende assim.

É risco?  Ele aciona o mecanismo de proteção e com ele todas as reações decorrentes da nossa evolução. O cérebro não identifica se é um animal ou uma plateia.

É um risco e gerou medo, então o processo da descarga da adrenalina no corpo acontece.  

Se nós observarmos ao longo da evolução, o medo continua o mesmo e a forma como o cérebro reage também. Então o que mudou?  Apenas os estímulos.

Antes eram animais, os perigos da mata e agora pode ser falar em público, rejeição, humilhação, etc. Estes estímulos para o cérebro não importam muito.

A recepção dos estímulos pelo tálamo até a decisão de fugir ou atacar, provocada pelo hipotálamo, continuam iguais.

No lugar de atacar ou fugir quando uma pessoa está diante de uma plateia agora é falar ou não falar em público. É o instinto animal agindo.

Mas nós podemos aceitar isto ou não, pois temos conhecimento do contexto atual. Só que além do instinto, outro fator determina a nossa reação, que é o poder de antecipação que temos.

A nossa imaginação pode criar cenários e o cérebro entender isto como real e desencadear as reações fisicoquímicas.

Como hipnotista, já tive experiência de ver pessoas sentirem frio, tremerem, baterem o queixo e na realidade não estava frio.

A informação enviada para o tálamo provocou a realidade e o sistema nervoso incumbiu do restante para proteger o corpo.

Agora que você já sabe disto, que tal começar a parar de antecipar tragédias pelo simples fato de ter que apresentar um trabalho, um projeto ou falar com pessoas em ambientes que você não tem hábito?

Falar bem, que mal tem? 

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Até o próximo artigo!

Leia os artigos anteriores da série:

1- Porque sentimos medo?

2- O atalho nem sempre é um bom caminho

3- Todo caminho me leva a único ponto: Hipotálamo

Leia o próximo artigo da série:

5- O medo é uma memória, então, como anulá-la?