O medo é um sentimento básico do ser humano, como o amor, a tristeza, a raiva ou a felicidade. O nosso cérebro desenvolveu mecanismo de autodefesa durante a nossa evolução.

Entender o que é o medo e como ele age fisiológica e psicologicamente no nosso organismo é fundamental para que possamos dominá-lo, principalmente para você que deseja falar em público e não tem a desenvoltura que gostaria.

O conhecimento é uma luz sobre o medo. Age como um fator encorajador para a mudança e o enfrentamento deste sentimento, que em muitas situações prejudica a pessoa que o sente.

O medo é uma resposta, por meio de estímulos cerebrais em cadeia, a um estresse sentido/percebido por um ser.

Inicia com o estímulo e termina com a liberação de compostos químicos que causam alterações físicas, como taquicardia, alteração do ritmo da respiração, mudança na tenacidade da musculatura, mudança no sistema de refrigeração do corpo, etc.

Vale lembrar que o estímulo pode ser objetivo ou subjetivo. As reações serão as mesmas diante da percepção. O cérebro age liberando os compostos e promovendo as mudanças físicas, mesmo que o risco real não exista, pois ele entende o risco e prepara o corpo para agir.

Muitos dos meus alunos me perguntam por que eles não conseguem então dominar o medo, por exemplo, de apresentar, sem estresse, um trabalho em sala?  É um bom questionamento e parte da resposta pode estar na estrutura e funcionamento do nosso cérebro.

Ele é um complexo sistema de comunicação, onde o pensamento é elaborado e nos leva à ação. Mas nem tudo que fazemos é consciente.

Nesta complexa estrutura temos dois sistemas de funcionamento: um é voluntário, ou seja, nós decidimos movimentar os braços e os movimentamos.

O outro, involuntário. Não podemos decidir parar o coração de bater, o estômago de funcionar ou parar de respirar.

O medo é quase totalmente produzido pelas respostas autônomas. Mas como entender isto pode me ajudar a falar em público? Vamos lá.

O medo de falar em público tem sua origem num estímulo, portanto, reflexivo. Certo? A resposta que você dá é anterior à própria consciência do fato, ou seja, subir ao palco ou abrir a boca e falar diante de uma plateia.

Você pode transpirar excessivamente, ficar com a boca seca, ter tremores nas pernas, ter alterações na voz, ter panes de conhecimento etc antes mesmo de começar a falar.

Isto por que o seu cérebro quer poupá-lo de algo que você não quer passar ou que julga muito possível passar.

Como é um mecanismo de defesa, o cérebro entende que deve preparar o seu corpo para agir ou fugir. No caso dos meus alunos, maioria, foge.

Esta atitude sendo informada ao cérebro repetidamente, leva-o a assumir aquilo como verdade e passará a agir sempre em conformidade com o seu estímulo, ou seja, quando vejo uma plateia, devo fugir e o corpo se prepara para tal.

Fonte: https://momentosdetristeza.wordpress.com

Atualmente já sabemos em quais partes do cérebro o medo é desenvolvido. Esta compreensão facilita obter resultados diferentes de apenas fugir da plateia e assim aproximar do resultado final que queremos, ou seja, falar em público.

O tálamo recebe os dados sensoriais do meio externo e decide para onde enviar, normalmente para o Córtex.  Estes dados podem ser visuais (muitas pessoas), auditivos (o barulho da plateia), além dos táteis.

O tálamo também é responsável pelo nosso estado de alerta e ativação ou desativação dos músculos.

O córtex sensorial recebe os dados que vieram do tálamo e os interpreta. O hipocampo armazena, faz uma busca de memórias conscientes, além dos estímulos já existentes e informados anteriormente pelos nossos sistemas.

O contexto do medo de falar em público pode começar a se formar neste momento. A amigdala (tonsila cerebelar) faz a leitura das emoções e claro, armazena o que julga ameaça.

Aqui a memória do medo já esta formada e armazenada. Se pudéssemos entrar neste banco de dados e apagar esta memória, não teríamos dificuldades para falar em público, mas como já sabem, é um sistema autônomo.

Por fim, o hipotálamo ativa a reação de falar ou calar-se, que nada mais é do que aquele antigo “lutar ou fugir”.

Não podemos atuar deliberadamente nestas partes, mas podemos mudar como aceitamos os estímulos e podemos enganar o cérebro, mas isto você saberá como fazer nos próximos artigos.

Acompanhe esta série e aprenda a vencer o seu medo de falar em público. Você também pode receber mais informações e dicas assinando o meu blog.

Falar bem, que mal tem?

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Até o próximo artigo.

Leia o próximo artigo da série!

2- O atalho nem sempre é um bom caminho